Especial Dia do Advogado - Laurady Figueiredo

Especial Dia do Advogado – Laurady Figueiredo

/ 0 Comentários / 310 Visualizações /

Avalie esse post

O termo “ética”, de origem grega, vem de ethos, que significava, no início, local de moradia e depois, atitude do homem perante a sociedade, seus valores espirituais em relação ao mundo.

 

A partir de Aristóteles, o termo passou a nominar o caráter, a personalidade moral de cada indivíduo na vida social.

 

Em que pese a ausência de unanimidade quanto ao conceito de ética, assim como as eventuais confusões entre ética e moral, deixemos esses aspectos para um novo artigo para tratarmos exclusivamente da ética profissional.

 

Ética profissional é um conjunto de princípios que regem determinada atividade profissional e na atividade advocatícia, regula a conduta pessoal e profissional do advogado. Isso significa que o advogado é um cidadão diferenciado, no sentido de que tem responsabilidades com a sua postura, com seu comportamento no seio da sociedade, deveres para com o grupo em que convive, além é claro, da manutenção dessa maneira de se conduzir nos seus relacionamentos profissionais.

 

Quanto mais relevante a atividade exercida, mais ela se projeta perante a sociedade e mais exige do profissional, impondo uma conduta que não o comprometa e, mais do que isso, que permita o seu ingresso em determinada Classe profissional de modo que uma vez inscrito, sua atitude não macule os demais profissionais.

 

É o que ocorre quando se exige a idoneidade moral como requisito para a inscrição como advogado na Ordem dos Advogados do Brasil (art.8º, VI da Lei 8906/94), ou ainda, quando o profissional é punido por manter conduta incompatível com a advocacia, ou por tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da advocacia, nas infrações previstas nos incisos XXV e XXVII, do artigo 34 da mesma Lei.

 

Relembro as qualidades essenciais de um advogado, na visão de São Tomás de Aquino.

 

“As qualidades essenciais de um advogado são: a Ciência, a Prudência e a Diligência nos assuntos que toma a seu encargo, a nobreza para com os litigantes e a generosidade para com os vencidos.” São Tomás de Aquino.

 

Falar das qualidades do advogado é imprescindível para entender o valor desta profissão, para a qual, em geral, são atribuídas qualidades negativas. Costumo lembrar meus alunos, nos primeiros dias de aula, de como são tachados os advogados, para que possamos contribuir juntos com a mudança dessa visão.

 

Pois bem, o advogado é alguém que se dedica ao estudo da ciência social que envolve as leis e os fatos jurídicos, que estuda psicologia, economia, história, que deve prestar atenção em todos os fatores externos que afetam a Ordem Jurídica e acompanhar, permanentemente, a atuação do Legislativo e as decisões dos Tribunais, ou seja, deve ser um profissional dedicado aos estudos.

 

A prudência e a diligência são fundamentais para evitar injustiças e erros na sua avaliação pessoal do caso narrado pelo cliente. Explico, com a ajuda de René Descartes, na célebre frase: “Penso, logo existo”. Aplico essa afirmação para alertar que o advogado deve ser necessariamente um questionador, um observador dos fatos e pessoas para, conduzido pela ética, evitar os enganos proporcionados pelos sentidos e proporcionar a defesa dos legítimos interesses. A mente humana é capaz de nos conduzir por caminhos equivocados, criar situações, fantasias e fatos que jamais existiram. Nesse momento, a prudência e a diligência do advogado são fundamentais para a construção de uma argumentação sólida, capaz de convencer não só o magistrado, mas a si próprio ou qualquer outra pessoa.

 

A nobreza para com os litigantes e a generosidades para com os vencidos. Nessas duas últimas qualidades destacadas por São Tomás de Aquino, vou ousar discordar do trecho final: “da generosidade para com os vencidos”, considerando imprescindível para todos os advogados a generosidade para com o semelhante. Seja ele parte vencida, ou o colega que a representa, o próprio cliente, uma testemunha, os funcionários do juízo, magistrados, membros do Ministério Público, alunos, professores, enfim, generosidade com o semelhante. Essa qualidade é fundamental para o bom advogado, pois há uma séria responsabilidade quando lidamos com a aflição e os problemas humanos. A generosidade tranquiliza o coração, abre portas, é capaz de angariar amigos e alimenta alma. Falta generosidade num mundo onde as conquistas materiais são prioridade.

 

Mas afinal, o que é generosidade? A generosidade é a particularidade de quem se sacrifica em benefício de outra pessoa. Acredito que essa qualidade deve estar presente em todos aqueles que escolhem a advocacia, pois a realização inerente a cada atendimento, a cada sentença positiva ou negativa, só acontece quando o advogado realmente se sacrificou em benefício do outro.

 

 

Por Laurady Figueiredo

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *