Histórias de um advogado – Capítulo 1

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Dr. Trajano Vetusto uma vez…

Ave Maria, o que ele fez!

Dizem que o papel aceita tudo e que os bons advogados sabem interpretar as histórias, entender o que motiva as pessoas e sempre encontram brechas na lei.

Na realidade não é bem assim.

 

Nosso advogado fictício, Dr. Trajano Vetusto, já aprontou poucas e boas com seus clientes e passaremos a acompanhar algumas de suas histórias para que não sejamos vítimas de outros inescrupulosos como ele, tampouco nos comportemos da mesma forma.

 

Pois bem, Dr. Trajano era casado, pai de dois meninos ainda pequenos, com 6 e 7 anos de idade e sua dedicada esposa cuidava apenas do lar, acatando resignadamente as decisões do marido.

 

Os cabelos e o bigode já grisalhos inspiravam confiança, fruto da certeza de tratar-se de um profissional com larga experiência. Apesar de sério era muito simpático e como todo “bom” advogado tinha o dom da palavra e convencia qualquer pessoa.

 

O seu poder de persuasão chegava a impressionar. Até mesmo em casa onde o diálogo era frequente e aberto com a esposa e filhos, a última palavra era sempre a dele. Não por imposição, mas sim, em razão dos fortes argumentos que lançava.

 

Se todos queriam passar as férias na praia e Dr. Trajano no campo, certamente iriam para o campo, sem qualquer discussão ou cara feia.

 

Após alguns anos trabalhando no departamento jurídico de uma empresa, Dr. Trajano foi demitido e decidiu mudar de cidade e estabelecer seu escritório numa pequena cidade do interior, mas esse não era apenas um novo desafio, ou uma singela forma de reiniciar a vida.

Nessa altura da vida, o advogado passou a adotar uma postura estranha para com os novos clientes. Atendia muito bem a todos. Como de costume, jamais deixava o cliente ir embora sem assinar o contrato, a procuração e acertar a primeira parcela dos honorários. Porém, passou a exigir também a assinatura dos clientes em notas promissórias relativas às parcelas futuras.

 

Essa exigência era colocada com muita elegância e firmeza e os clientes não se negavam a assinar, jamais questionavam a legalidade, mesmo sem entender exatamente a razão.

 

Depois de algum tempo, Dr. Trajano Vetusto já tinha angariado muitos clientes e simplesmente fechou o escritório e mudou-se, sem deixar rastro. Nenhuma ação foi proposta em defesa dos interesses de seus constituintes!

Assim, ao firmar o contrato de honorários e assinar as notas promissórias, os clientes entregaram ao advogado uma dupla garantia e as execuções foram inevitáveis.

 

Ou seja, além de terem confiado naquele advogado, desembolsado valores sem a prestação do serviço contratado, todas as pessoas que constituíram o profissional e contrataram os serviços foram vítimas de um verdadeiro golpe e de execuções das notas promissórias.

 

Essa história parece familiar?

Infelizmente é verdade. Muitos “advogados” agem dessa maneira, sem qualquer observância das regras éticas, ao arrepio da lei e buscando apenas o interesse econômico próprio.

Viver o problema do cliente, entender suas angústias e atenuar o seu sofrimento por meio da melhor defesa dos seus interesses; atuar ao mesmo tempo com firmeza e delicadeza; buscar incansavelmente o melhor resultado e jamais ser indiferente deveria ser a regra na advocacia e não a exceção.

 

No próximo artigo vamos acompanhar novas estórias do advogado e conhecer as infrações que ele continuou praticando.

 

 

 

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