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Mês do Advogado: Mais do que uma Profissão

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Nesse mês de agosto em que comemoramos o Dia do Advogado, não podia deixar de provocar essa reflexão para que os advogados tenham um olhar diferenciado em relação aos problemas jurídicos, conquistando a confiança da sociedade.

 

Alcançar a inscrição na OAB não significa que, a partir daí, temos uma profissão, mas, muito mais do que isso, assumimos uma missão de ajudar o ser humano. Essa ajuda humanitária não é ensinada na faculdade. Os cursos de Direito formam profissionais treinados para litigar, para vencer, para brigar, sem um olhar voltado para o sofrimento que o problema levado ao profissional está causando ao indivíduo e à família, ou à empresa.

 

Essa semana conversei sobre isso com os meus alunos na FMU, em São Paulo, onde leciono Ética Profissional.

 

Coincidentemente tivemos a oportunidade de ouvir o brilhante professor português Dr. Eduardo Vera-Cruz Pinto que destacou em sua palestra, no auditório da FMU, que o Direito se assenta na confiança. Confiança nos papéis que cada um de nós representa na sociedade.

 

Assim, hoje quero falar deste princípio que deve nortear a atividade do advogado, que é a confiabilidade. Ninguém tem dúvida de que a contratação do advogado só acontece com a decisão do cliente, motivada, especialmente, pela confiança.

 

Antes de avançarmos nessa questão, vale refletir sobre a satisfação dos clientes em relação aos advogados que contrataram um dia. Para ajudar, podemos lembrar quais são os adjetivos mais comuns atribuídos a nós, advogados. Pois bem, se você parou dois minutos para refletir sobre isso, já concluiu que existe um problema real e histórico com os advogados e seus clientes.

 

Se a confiança é fator determinante para a contratação e se a maioria das pessoas está insatisfeita com o seu advogado, isso significa que o elemento motivador para a contratação não se manteve ao longo dos anos.

 

Se assim fosse, independentemente dos fatores externos, como a morosidade do Judiciário, ou as decisões prejudiciais aos interesses do cliente, ou mesmo equivocadas, não haveria o desgaste que acaba com a destituição do advogado. Logo, a manutenção da confiança recíproca é o fator que mantém a relação saudável com o cliente e a sua satisfação.

 

Confiar significa entregar ao outro o problema, esperando que, por força do conhecimento técnico e da experiência, o advogado buscará a melhor solução jurídica. Essa entrega vem acompanhada da expectativa que o outro tenha sentimento pela causa, que busque não só o resultado prático no Judiciário, ou fora dele, mas que tenha compaixão, que mostre um comportamento estável, ainda que tenha que ser enérgico. Que seja honesto, cooperativo. Enfim, que represente a autoridade daquele que defende um direito com suporte na lei e na Justiça, mas que jamais se esqueça do lado humano da advocacia.

 

Já deu para perceber que a satisfação aparece como resultado da confiança, uma vez que pode ser traduzida como o prazer que resulta da realização, por parte do outro, daquilo que se espera, do que se deseja.

 

Se o cliente acredita que sofreu um mal injusto, que precisa fazer valer algum direito, que merece a reparação de um dano, que deseja preservar algum direito pessoal, individual ou da empresa, enfim, se busca um advogado, acredite, não tem em mente que poderemos oferecer o resultado esperado, como num passe de mágica.

 

Ao contrário, espera e tem consciência, que outras pessoas participarão do problema e que o juiz tomará a primeira decisão, seguindo-se para os tribunais, para que os desembargadores e ministros também exarem seus votos.

 

Nem precisamos lembrar, mas você pode estar pensando nesse fator instransponível, que é a morosidade do Judiciário. Não se preocupe, afinal esse é um problema do sistema e não está relacionado diretamente com a atuação do advogado. Seu cliente sabe disso, afinal trata-se de um problema de conhecimento público e notório.

 

A questão que se coloca é: O que o cliente realmente espera?

 

A resposta é simples, que você seja digno da confiança depositada no momento da contratação. Que não abandone o problema que o atormenta, considerando apenas mais um caso ou mais um cliente. Que entenda que a sua atenção ao problema jurídico não pode ficar dissociada da compaixão em busca da solução para a dor da alma.

 

Sejamos autores dessa história, capaz de modificar a visão que a sociedade tem dos advogados, multiplicando comportamentos éticos.

 

 

 

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