O EXERCÍCIO DA ADVOCACIA: FOCO NA SOLUÇÃO DOS CONFLITOS

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Certamente você já ouviu alguém dizendo: fulano está colhendo o que plantou. Normalmente essa afirmação aparece num momento de crítica, como uma verdadeira conclusão em relação a um ato mal feito, impensado, irresponsável. Soa como uma punição traduzida naquele resultado obtido pelo tal fulano.

 

Gosto muito dessa ideia de colher o que plantamos, especialmente porque pode perfeitamente ser aplicada de uma forma positiva e construtiva.

Na carreira jurídica não podia ser diferente, afinal essa é uma lei da natureza, se plantamos morangos, só vamos colher morangos e nunca tomates.

 

Pois bem, na área jurídica a prática profissional inicia-se muito cedo, ainda que com atividades voltadas ao aprendizado, no estágio obrigatório e a partir daí podemos selecionar o que desejamos plantar, com vistas naquilo que desejamos colher.

 

A advocacia não é só uma atividade mecânica, no sentido de traduzir em petições e recursos os problemas e as teses, na defesa dos interesses dos clientes.

Tampouco é simplesmente a arte de manejar o processo, esgotando todos os meios possíveis no Judiciário, ainda que não exista um fundamento verdadeiramente relevante a justificar esse ou aquele recurso.

 

Certamente o advogado precisa desses conhecimentos e ferramentas para atender às necessidades dos clientes. Estudo, petições, recursos e tantos outros procedimentos técnicos são imprescindíveis, mas, acima de tudo, o advogado deve compreender o problema que aflige o ser humano, entender sua dor e buscar com a serenidade de um profissional, a melhor, mais rápida e eficaz solução para o problema.

Nesse momento o advogado muitas vezes identifica que existe um caminho mais ágil, perfeitamente possível, com uma atuação extrajudicial, mas opta pelo processo, levando em conta, para essa decisão, a possibilidade de justificar honorários mais elevados e por um longo período.

 

Foi isso que ouvi de um juiz na semana passada quando dirigi-me ao gabinete para despachar.

 

Um magistrado que recebe advogados com prazer e não mede esforços, nem tempo, para entender a questão e o pedido levado ao seu conhecimento.

Na visão desse juiz, entre outras razões, o Judiciário está sobrecarregado porque a advocacia vai mal.

 

Lembro que o magistrado, conversando comigo sobre outros processos, deu o exemplo da uma grande loja de departamentos e que atende aos consumidores de classes menos favorecidas, afirmando que não há processos dessa empresa contra seus clientes inadimplentes. E sabe por que? Me perguntava o magistrado. Porque eles evitam o Judiciário, resolvem tudo com os clientes de forma amigável e rápida e isso torna o consumidor satisfeito e mais fiel, diante do cuidado que recebeu do parceiro contratual, que não lhe impingiu mais prejuízo e desgaste com um processo desnecessário.

 

Não podia ser outra a minha posição, senão a de concordar com o magistrado, pois observo diuturnamente inúmeros processos sem qualquer justificativa, demandas improcedentes e recursos não conhecidos e desprovidos, como se o Judiciário fosse um grande laboratório experimental onde tudo é possível testar.

 

Sem falar nas alegações levianas e completamente destituídas de qualquer prova, o que acaba colocando o cliente numa posição de fragilidade inadmissível e leva ao inevitável insucesso da demanda.

 

Não há qualquer justificativa razoável, ainda que o advogado dependa dos honorários, para prolongar o sofrimento do cliente quando existe solução fora do Judiciário, até porque as atividades de consultoria e assessoria jurídicas são privativas da advocacia e também garantem o pagamento dos honorários.

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